Lembrando a força de Cazuza, que completaria hoje 67 anos
- Paulo de Oxalá
- há 15 minutos
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Foto: Cazuza, a poesia de Lógun Edé - arte Pai Paulo de Oxalá
O cantor e o axé de Lógun Ẹ̀dẹ
Cazuza completaria hoje 67 anos. Nascido em 4 de abril de 1958 como Agenor de Miranda Araújo Neto, ele se tornou Cazuza, uma das figuras mais marcantes da música brasileira, deixando um legado de irreverência, paixão e poesia.
Em 2015, através da numerologia por Odù — um trabalho que realizo há mais de 40 anos —, foi revelado que o Odù que mais se destacava na data de nascimento de Cazuza era o Odù Ọ̀bàrà, ligado a Lógun Ẹ̀dẹ (Logum Edé). Naquela época, publiquei um post aqui no Extra, intitulado: “Cazuza, o beija-flor de Logum Edé”, onde mostro que a sensibilidade de Cazuza, aliada à transformação — uma das características de Lógun Ẹ̀dẹ —, foi uma das forças poderosas que contribuíram para seu sucesso.
O arquétipo de Lógun Ẹ̀dẹ, Orixá da sedução e da beleza, manifestava-se claramente na personalidade de Cazuza. Lógun é metade caçador, metade senhor das águas doces, transitando entre a impulsividade e a delicadeza — assim como Cazuza, que era visceral em suas opiniões e, ao mesmo tempo, profundamente sensível em sua arte.
Quem nasce sob a energia de Lógun Ẹ̀dẹ é ágil, magnético e traz consigo um brilho natural — características que marcaram a presença de Cazuza. Sua autenticidade era sua maior arma: falava o que pensava, sem filtros, e transformava suas vivências em letras que ainda ecoam no país de hoje. “Brasil” e “O Tempo Não Para” são exemplos perfeitos de sua capacidade de traduzir a sociedade em versos atemporais.
Caetano Veloso o chamou de “o maior poeta de sua geração” — e com razão. Canções como “Preciso Dizer Que Te Amo”, “Faz Parte do Meu Show” e “Codinome Beija-Flor” são carregadas de lirismo e sedução, qualidades profundamente ligadas à energia de Lógun. “Codinome Beija-Flor”, em especial, revela essa dualidade: a liberdade do beija-flor e a dor da saudade, um voo entre o prazer e a melancolia.
Cazuza foi um artista raro, daqueles que vêm ao mundo para provocar mudanças e eternizar emoções. Ele transformou suas dores e amores em arte, mostrando que a poesia pode ser um grito de resistência e, ao mesmo tempo, um sussurro de carinho.
Wà akéwì ṣe dá nira dájú ní ewì! (Ser poeta é transformar a dureza da realidade em poesia!)
Axé para todos!
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