Não adianta, Xangô sempre será o Orixá da justiça
- Paulo de Oxalá
- há 1 dia
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Foto: Xangô, o poderoso justiceiro – IA com arte e matizes de Pai Paulo de Oxalá
Por mais que estude, nunca discordarei dos ensinamentos da minha Ìyálórìṣà
O Candomblé se sustenta sobre pilares fundamentais, e um dos mais sólidos é o princípio da hierarquia. Os sacerdotes, conhecidos como Bàbálórìṣà e Ìyálórìṣà, são os guardiões da tradição e os responsáveis pelo comando do Ilé Àṣẹ, a casa de axé ou terreiro. São eles que transmitem, com dedicação e respeito, os ensinamentos aos ìyàwó – nome dado ao novo iniciado, que significa "esposa" em yorùbá, mas que no Brasil é utilizado para referir-se aos recém-iniciados na religião.
Os ensinamentos transmitidos pelos mais velhos não são meros conhecimentos, mas sim partes de uma tradição milenar preservada com zelo pelos ancestrais. Eles não apenas orientam a prática religiosa, mas também moldam a conduta dos filhos de santo ao longo de toda a vida. O olórìṣà, também chamado de ọmọ Òrìṣà, carrega consigo esses ensinamentos como um legado sagrado, respeitando-os sem questionamento, pois eles foram transmitidos por aqueles que vieram antes de nós e aprenderam diretamente dos Orixás.
É essencial compreender que a dúvida sobre os ensinamentos de um Bàbálórìṣà ou Ìyálórìṣà não é apenas uma afronta à pessoa que o transmite, mas também um questionamento à sabedoria ancestral do próprio Candomblé. A tradição não se baseia apenas na lógica acadêmica ou nos estudos formais, mas sim na vivência e na transmissão oral de segredos sagrados que foram preservados por gerações de sacerdotes e sacerdotisas.
Não importa quantos estudos acadêmicos um filho de santo possa realizar sobre os idiomas africanos que influenciaram o Candomblé, como o yorùbá, o fon e o bantu, ele sempre respeitará os ensinamentos dos seus mais velhos de religião. A academia pode contribuir com informações, mas nunca poderá substituir a vivência e o aprendizado transmitido pelos Bàbálórìṣà e Ìyálórìṣà. Afinal, é dentro do terreiro, sob a orientação dos mais velhos, que a verdadeira essência do Candomblé é vivenciada e compreendida.
Se aprendemos que Ṣàngó (Xangô) é um Orixá rei, senhor do trovão e da justiça, não adianta vir alguém de fora e tentar desconstruir esse ensinamento. As tradições de uma casa de axé são sagradas, e o respeito aos nossos mais velhos nos impede de discordar daquilo que nos foi passado com amor, responsabilidade e compromisso com os Orixás.
O Candomblé prosperou no Brasil porque foi fiel às suas raízes e soube preservar sua essência, mesmo diante das adversidades. Hoje, ele é reconhecido como religião, com ritos, fundamentos e preceitos que foram mantidos intactos graças à dedicação dos sacerdotes e sacerdotisas que vieram antes de nós. E dentro dessa tradição, Xangô continua sendo o senhor da justiça.
Eu, Paulo de Oxalá, além de Bàbálórìṣà, dediquei anos à pesquisa da cultura e religiosidade afro-brasileira. No entanto, em nenhum momento ousaria discordar dos ensinamentos passados pela minha Ìyálórìṣà, Tereza Fomo de Oxalá. Pois questionar seus ensinamentos seria o mesmo que duvidar da sabedoria dos ancestrais do Candomblé, e isso nunca farei.
A bênção, Mãe Fomo!
Idajọ Ṣàngó kì í ṣàṣeyọri ẹni tí ó yẹ láti san, a máa san, ẹni tí ó yẹ láti gbà, a máa gbà. (A justiça de Xangô é implacável; pois quem deve paga, e quem merece recebe).
Axé para todos!
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